Artigo de opinião em apoio à resolução do CONSUNI e contra cotas raciais, O Globo, 6.09.2010, seguido de carta do CEG esclarecendo que cotas não são para pobres, mas estudantes de escolas públicas

11/09/2010

Artigo de opiniao de Renato Lessa, professor da UFF e diretor-presidente do Instituto Ciência Hoje, defendendo as “cotas sociais” aprovadas pelo CONSUNI para o vestibular de 2011, como alternativa às raciais. Se para alguns de nós a resolução é tímida, a resposta em carta de leitor de Ana Maria Ribeiro, do Conselho de Ensino de Graduação da UFRJ, mostra que é pior do que pensávamos: ela esclarece que as cotas não são para pobres, mas alunos de escolas públicas.

Carta aberta sobre cotas na UFRJ

19/08/2010

Lista de assinaturas no final.  Professor/a da UFRJ, se quiser aderir, envie um email para lsovik@gmail.com.

Ao contrário do que pretendem afirmar alguns setores da imprensa, o debate em torno de políticas afirmativas e de sua implementação no ensino universitário brasileiro não pertence à UFRJ, à USP ou a qualquer setor, “racialista” ou não, da sociedade. Soma-se quase uma década de reflexões, envolvendo intelectuais, dirigentes de instituições de ensino, movimentos sociais e movimento estudantil, parlamentares e juristas.

Atualmente, cerca de 130 universidades públicas brasileiras já adotaram políticas afirmativas – entre as quais, a das cotas raciais – como critério de acesso à formação universitária. Entre estas instituições figuram a UFMG, a UFRGS, a Unicamp, a UnB e a USP, que estão entre as mais importantes universidades brasileiras.

Em editorial da última terça-feira, 17 de agosto, intitulado “UFRJ rejeita insensatas cotas raciais”, o jornal O Globo assume, de forma facciosa, uma posição contrária a essas políticas afirmativas. O texto desmerece as ações encaminhadas por mais de cem universidades públicas e tenta sugestionar o debate em curso na UFRJ. Distorcendo os fatos, o editorial fala em “inconstitucionalidade” da aplicação do sistema de cotas, quando, na verdade, o que está em pauta no Supremo Tribunal Federal não é a constitucionalidade das cotas, mas os critérios utilizados na UnB para a aplicação de suas políticas afirmativas.

Na última década, enquanto a discussão crescia em todo o país, a UFRJ deu poucos passos, ou quase nenhum, para fazer avançar o debate sobre as políticas públicas. O acesso dos estudantes à UFRJ continua limitado ao vestibular, com uma mera pré-seleção por meio do ENEM, o que significa um processo ainda excludente de seleção para a entrada na universidade pública. Apesar disso, do mês de março para cá, o debate sobre as cotas foi relançado na UFRJ e, hoje, várias decisões podem ser tomadas com melhor conhecimento do problema e das posições dos diferentes setores da sociedade em relação ao assunto.

Se pretendemos avançar rumo a uma democracia real, capaz de assegurar espaços de oportunidades iguais para todos, o acesso à universidade pública deve ser repensado. Isto significa que é preciso levar em conta os diferentes perfis dos estudantes brasileiros, em vez de seguir camuflando a realidade com discursos sobre “mérito” (como se a própria noção não fosse problemática e como se fosse possível comparar méritos de  pessoas de condição social e trajetórias totalmente díspares) ou sobre “miscigenação” (como se não houvesse uma história de exclusão dos “menos mestiços” bem atrás de todos nós).

Cotas sociais – e, fundamentalmente, aquelas que reconhecem a dívida histórica do Brasil em relação aos negros – abrem caminhos para que pobres dêem prosseguimento aos seus estudos, prejudicado por um ensino básico predominantemente deficiente. Só assim os dirigentes e professores das universidades brasileiras poderão continuar fazendo seu trabalho de cabeça erguida. Só assim a comunidade universitária poderá avançar, junto com o país e na contra-mão da imprensa retrógrada, representada por O Globo, em direção a um reconhecimento necessário dos crimes da escravidão, crimes que, justamente, por ainda não terem sido reconhecidos como crimes que são, se perpetuam no apartheid social em que vivemos.

Rio de Janeiro, 19 de agosto de 2010

Assinam os professores da UFRJ:

Adalberto Vieyra – Professor Titular, Instituto de Ciências Biomédicas

Alexandre Brasil – NUTES

Almir Pita Freitas Filho – Instituto de Economia

Amaury Fernandes – Escola de Comunicação

Amilcar Pereira – Faculdade de Educação

Ana Clara Torres Ribeiro – IPPUR

André Martins Vilar de Carvalho – Filosofia-IFCS/Medicina

Anita Fiszon – Colégio de Aplicação

Anita Leandro – Escola de Comunicação

Antonio Carlos de Souza Lima – Museu Nacional

Beatriz Heredia – IFCS

Bruna Franchetto – Museu Nacional

C. Frederico L. Rocha – Instituto de Economia

Carmen Teresa Gabriel – Faculdade de Educação

Cinthia Monteiro Araujo – Faculdade de Educação

Clovis Montenegro de Lima – FACC/UFRJ-IBICT

Cristina Rego Monteiro – Escola de Comunicação

Eduardo Viveiros de Castro – Museu Nacional

Debora Foguel – Diretora, Instituto de Bioquímica Médica

Denilson Lopes – Escola de Comunicação

Denise Rocha Gonçalves – Observatório do Valongo

Elina Pessanha – IFCS

Enio Serra dos Santos – Faculdade de Educação

Fernando Alvares Salis – Escola de Comunicação

Fernando Rabossi – IFCS

Fernando Santoro – IFCS

Filipe Ceppas de Carvalho e Faria – Faculdade de Educação

Flavia Rezende – NUTES

Flávio Gomes – IFCS

Francisco Teixeira Portugal – Instituto de Psicologia

Giseli Barreto da Cruz – Faculdade de Educação

Giuseppe Cocco – Professor Titular, Escola de Serviço Social

Heloisa Buarque de Hollanda – Professora Titular, Escola de Comunicação/FCC

Henrique Antoun – Escola de Comunicação

Isabel Travancas – Escola de Comunicação

Ivana Bentes – Diretora, Escola de Comunicação

Jacqueline Girão Soares de Lima – Faculdade de Educação

João Camillo Penna – Faculdade de Letras

João Pacheco de Oliveira – Professor Titular, Museu Nacional

José Sergio Leite Lopes – Museu Nacional

Julia Polessa Maçaira – Faculdade de Educação

Katia Augusta Maciel – Escola de Comunicação

Laura Tavares – IPPUR

Leonarda Musumeci – Instituto de Economia

Leilah Landim – Escola de Serviço Social

Lilia Irmeli Arany Prado – Observatório do Valongo

Liv Sovik – Escola de Comunicação

Livia Flores Lopes – Escola de Comunicação

Liz-Rejane Issberner – FACC/UFRJ-IBICT

Luis Acosta – Escola de Serviço Social/presidente da ADUFRJ

Luiz Paulo da Moita Lopes – Professor Titular, Faculdade de Letras

Marcia Serra Ferreira – Faculdade de Educação

Maria das Graças Chagas de Arruda Nascimento – Faculdade de Educação

Maria de Fatima Cabral Marques Gomes – Professora titular, Escola de Serviço Social

Maria Rosilene Barbosa Alvim – IFCS

Mariana Cassab – Faculdade de Educação

Marcelo Paixão – Instituto de Economia

Marcio Goldman – Museu Nacional

Marildo Menegat – Escola de Serviço Social

Marlise Vinagre – Escola de Serviço Social

Marta Lima de Souza – Faculdade de Educação

Marta Simões Peres – Escola de Educação Física e Desportos

Miriam Krenzinger A Guindani – Escola de Serviço Social/Direito

Moacir Gracindo Soares Palmeira –  Professor Titular, Museu Nacional

Monique Andries Nogueira – Faculdade de Educação

Nelson Maculan – Professor titular da COPPE e ex-reitor da UFRJ

Olívia Cunha – Museu Nacional

Otávio Velho – Professor Emérito, Museu Nacional

Paulo Eduardo Xavier de Mendonça – Coord. Curso de Medicina UFRJ – Campus Macaé

Paulo G. Domenech Oneto – Escola de Comunicação

Regina Célia Reyes Novaes – IFCS

Rejane Maria de Almeida Trisotto – Faculdade de Educação

Renzo Taddei – Escola de Comunicação

Roberto Cabral de Melo Machado – IFCS

Rosana Salles-Costa – Instituto de Nutrição

Samuel Araujo – Escola de Música

Sarita Albagli – FACC/UFRJ-IBICT

Sergio Luiz Baptista da Silva- Faculdade de Educação

Silvia Lorenz Martins – Observatorio do Valongo

Suzy dos Santos – Escola de Comunicação

Tatiana Roque – Instituto de Matemática

Virgínia Kastrup – Instituto de Psicologia

E : Alabê Nunjara Silva – graduando, Relaçoes Internacionais

Helena Bonciani Nader – prof. titular de Bioquímica, UNIFESP/vice-presidente, SBPC

José Antônio Aleixo da Silva – coord. PPG Ciência Florestal, UFRPE/secretário, SBPC

Rute Maria Gonçalves de Andrade – Instituto Butantã/UNIVASF/secretária, SBPC

Silviano Santiago – professor emérito, UFF

Dilma critica DEM por ter ido à Justiça contra cotas

08/08/2010

07 de agosto de 2010 | 16h 43
LUCIANA NUNES LEAL – Agência Estado

A candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, criticou na tarde de hoje o DEM, por ter recorrido ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a política de cotas para negros nas universidades. Durante visita à Cidade de Deus, Dilma disse ser totalmente favorável à reserva de vagas para estudantes negros e também para pobres.

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Acesso à Universidade

26/07/2010

Apresentação acesso UFRJ

Apresentação na Plenária de Decanos e Diretores, pela profa. Laura Tavares, Pró-Reitora de Extensão, em 26 de julho de 2010

A UFMA e o novo processo nacional de seleção unificada,

16/07/2010

Natalino Salgado Filho, reitor da UFMA

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Em sua penúltima reunião, no dia 30 de abril do corrente, o Conselho Superior da UFMA (CONSUN), por ampla maioria (30 votos a 2), deliberou favoravelmente pela adesão de nossa Universidade ao novo processo nacional de seleção unificada de ingresso no ensino superior, adotando o novo ENEM como critério exclusivo de acesso às vagas ofertadas em 2010.
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As Cotas: Uma questão de Justiça?

18/05/2010

Marina Velasco

Programa de Pós-Graduação Lógica e Metafísica – IFCS/UFRJ

Texto extraído do livro O que é Justiça? O justo e o injusto na pesquisa filosófica. Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2009. Coleção Ciência no Bolso – “Um exemplo: as cotas raciais universitárias

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Cotas raciais: por que sim?

11/05/2010

uma publicação do Ibase. – 3.ed. –
Rio de Janeiro : Ibase, dezembro de 2008.

Conferência aprova cotas por unanimidade

11/05/2010

“Conferência Nacional de Educação (Conae), […] aconteceu em Brasília de 28 de março a 1º. de abril, com a participação de mais de três mil delegados de todos os cantos do país […] representantes governamentais das esferas federal, estadual e municipal, trabalhadores em educação, educadores, gestores, estudantes, pais, representantes do movimento social e sindical”. […]

“Segundo a Fasubra, os delegados aprovaram, por unanimidade na plenária final, proposta de reserva de 50% de vagas de instituições públicas de ensino superior para alunos de escolas públicas.”

“A reserva deverá respeitar a proporção de negros e indígenas da população de cada estado. O mecanismo deve vigorar por no mínimo 10 anos”.

Jornal do SINTUFRJ, 13-18 de abril de 2010, p.5

A IDEOLOGIA DA MISCIGENAÇÃO E AS RELAÇÕES INTERRACIAIS NO BRASIL

22/04/2010

Otávio Velho  – Museu Nacional – UFRJ

– Nos últimos anos no Brasil surgiram duas polêmicas que despertaram grande atenção da mídia e da opinião pública. A primeira foi a questão da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol no Norte do país na fronteira com a Venezuela e a Guiana. E a segunda foi a questão da implantação de um sistema de cotas raciais nas universidade públicas. Leia o resto deste post »

Exposiçao de Frei David, da Educafro, ao Conselho Universitário da UFRJ, em 8/04/2010, a convite do Reitor Aloisio Teixeira

18/04/2010

AÇÕES AFIRMATIVAS NA UFRJ ABRIL DE 2010